Reforma tributária e a gestão das empresas
A reforma tributária já deixou de ser um tema técnico restrito à área fiscal e passou a ocupar um espaço central na gestão das empresas neste ano. Mais do que compreender novas siglas e regras, o verdadeiro desafio está na capacidade de adaptação dos negócios. É a maior mudança tributária dos últimos cinquenta anos.
A pergunta não é apenas quanto imposto será pago, mas sim: a empresa está preparada para operar dentro dessa nova lógica? O maior risco não está na legislação em si, mas na falta de preparação.
Empresas que não se anteciparem tendem a perder margem, precificar de forma inadequada e tomar decisões com base em informações distorcidas. O preço pode estar sangrando o caixa e comprometendo a competitividade do negócio. Diante desse cenário, três pontos se tornam essenciais como forma de prevenção e preparação.
O primeiro é a revisão da estrutura de custos e da precificação. A nova sistemática altera a lógica de incidência dos tributos e exige um entendimento mais profundo sobre créditos e carga efetiva. Preço passa a ser uma decisão estratégica, não apenas comercial. Ter um plano de ação efetivo que transforma o preço correto em ancoragem proporciona um mapa definitivo para o domínio financeiro total da gestão.
O segundo ponto é a organização e a qualidade das informações. A correta apuração de créditos e tributos dependerá diretamente de dados confiáveis. Empresas com baixa maturidade em controles e indicadores correm o risco de pagar mais impostos não por obrigação legal, mas por falta de gestão. O terceiro ponto é a revisão do modelo operacional e estratégico.
A reforma impacta desde a escolha de fornecedores até a estrutura do negócio e do mercado que a empresa está inserida. Avaliar esses aspectos será fundamental para manter competividade e sustentabilidade financeira. Por outro lado, há uma grande oportunidade. Empresas preparadas não apenas reduzem riscos, mas ampliam sua capacidade de decisão.
Com informações consistentes, passam a agir de forma mais assertiva na gestão e podem utilizar esses dados como moeda de negociação — seja com fornecedores, clientes ou parceiros. A reforma tributária não será definida pelo conhecimento técnico sobre impostos, mas pela capacidade de transformar informação em decisões estratégicas de gestão.
Rose Goetz - Coordenadora do Comitê de Gestão e Qualidade e diretora da Solluções Gestão Inteligente