Concessão do Bloco 1 fica para o próximo governador

Por ACI: 08/10/2026
RS-239, em foto da Prefeitura de Sapiranga

O governador Eduardo Leite (PSD) confirmou que o edital de concessão do Bloco 1 de rodovias não será publicado em 2026. O anúncio foi feito durante coletiva no Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff).

Apresentado em outubro de 2025, o projeto previa 23 pórticos de pedágio eletrônico e tarifa de R$ 0,21 por quilômetro. Ao longo do ano, a proposta passou por mudanças. Em julho, Leite já havia admitido que a decisão sobre o Bloco 1 poderia ficar para o próximo governador.

Diferentemente do Bloco 2, que foi a leilão em junho, mas não recebeu propostas, o edital do Bloco 1 não chegou a ser publicado. Críticas e resistências ao projeto prolongaram a discussão.

“Entendemos que não conseguimos amadurecer o debate para que fosse aceito pelas comunidades e pudesse avançar neste projeto”, afirmou Leite. O governador disse que pretende discutir o tema com o governador eleito Luciano Zucco (PL), durante o período de transição. “Pretendo discutir isso com o governo eleito, porque, se levar o edital à licitação, a consolidação do processo levaria a assinatura para o próximo governador”, disse.

Mudanças

Durante a revisão do projeto, o número de pórticos passaria de 23 para 14, e a tarifa por quilômetro cairia de R$ 0,21 para R$ 0,19. A cobrança de pedágio eletrônico ficaria prevista nas rodovias RS-020, RS-115, RS-235, RS-239 e RS-474. A proposta também mantinha a construção da RS010, uma nova ligação entre o Vale do Sinos e Porto Alegre. A RS118 permaneceria no bloco até a conclusão da duplicação entre Gravataí e Viamão, sem cobrança de pedágio.

A proposta mobilizou lideranças da região, especialmente do Vale do Paranhana. Deputados e prefeitos levaram o tema à Assembleia Legislativa, que criou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as concessões. O relatório final, aprovado pela comissão, recomendou que os projetos não avançassem.

Audiências públicas sobre a concessão das estradas que integram o Bloco 1 também foram realizadas em cidades da região como Gramado, Taquara e Novo Hamburgo, mobilizando representantes de entidades e moradores.

Sobre o Bloco 2, que abrange o Vale do Taquari e a Região Norte, Leite defendeu a proposta. “Entendo que o Bloco 2 está amadurecido. Há oposições, mas ele é mais bem compreendido. Desde o leilão anterior, colocamos nossa equipe técnica para revisar o projeto e organizar a estrutura do Bloco 2, de maneira que ficasse interessante para investidores, para não termos novas frustrações e sem elevar a tarifa”, afirmou.

Fonte: Jornal NH / Edição de 07.10

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