Vice-presidente de Economia comenta novo corte na taxa de juros
Nesta quarta-feira, 16, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, marcando o quinto corte consecutivo devido à desaceleração da inflação no Brasil. Nos Estados Unidos, o banco central (Federal Reserve, Fed), elevou a taxa de juros de 3,75% para 4%.
É que o mercado financeiro chama de ‘super Quarta’, pela coincidência da data de anúncio da nova taxa de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Conforme André Momberger, vice-presidente de Economia da ACI, não houve novidade nas decisões, que vieram dentro do que o mercado esperava que acontecesse.
A decisão americana foi pela retomada da alta da taxa de juros. Havia dúvida se o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, adotaria uma política mais restritiva em relação à economia, pois, na última reunião, deixou claro que observaria o comportamento dos dados da economia, especialmente os inflacionários, para a tomada de decisão, sinalizando a possibilidade de subir a taxa de juros. Nos Estados Unidos, o impacto da guerra com o Irã tem trazido um componente inflacionário nos combustíveis bastante incômodo para a economia. Por isso, a decisão foi por elevar a taxa de juros e deixar a porta aberta para, na próxima reunião, um novo reajuste.
O juro futuro americano já ultrapassou a faixa de 5% ao ano e o Fed sinaliza com a possibilidade de um novo aumento. Isso desagrada o presidente Donald Trump, que esbraveja, a exemplo do que fazia com o dirigente anterior do Fed.
No Brasil, também já se esperava mais uma queda de 0,25% na taxa de juros, que ocorreu. A redução foi de 14% para 13,75%, e o mercado financeiro espera um novo corte na próxima reunião do Copom, fazendo com que o ano se encerre com a Selic em 13,5%. A taxa de juros futura inclusive já projeta a próxima baixa, que é muito provável que aconteça. Na bolsa de apostas do mercado de derivativos, mais de 70% das projeções já indicam esse novo corte como certo.
Momberger afirma que a diferença entre a taxa de juros brasileira e a americana pode tornar o Brasil menos atrativo ao capital estrangeiro a longo prazo. Mas o país ainda tem ‘gordura’ para queimar, mesmo com as cinco reduções recentes. A inflação está na faixa de 4,3% a 4,4% ao ano e, com a Selic próxima de 14%, há um juro real de quase 10% para os investidores. Nos Estados Unidos, com a inflação de 3% e a taxa de juros de 4%, o juro real é de apenas 1%. Com a projeção futura de 5%, o juro real pode chegar a 2%, mas ainda será inferior à do Brasil.