População do RS vai parar de crescer em 01 de julho, prevê especialista em público 60+
Por ACI: 26/06/2026
A população regional está, literalmente, envelhecendo. As cidades de Novo Hamburgo, Campo Bom, Estância Velha e Ivoti têm, juntas, 68, 4 mil pessoas com 60 anos ou mais, que movimentam R$ 2,1 bilhões ao ano. Esse é um dos dados relacionados ao envelhecimento da população apresentados por Martin Henkel, fundador da SeniorLab Mercado e Consumo 60+, durante o Prato Principal que a ACI realizou nesta quinta-feira, 25, no Centro de Eventos Swan Novo Hamburgo, sob a coordenação do presidente Robinson Klein.
Abordando o tema O RS como motor da economia prateada, Henkel, que nasceu em Novo Hamburgo e reside atualmente em Belo Horizonte, afirmou que, nessas cidades, um em cada cinco habitantes tem 60 anos ou mais e isso já mudou a relação com marcas, produtos e serviços.
Projeção do SeniorLab com base em dados brutos do IBGE indica que a população do Rio Grande do Sul parará de crescer em 01 de julho próximo devido ao desequilíbrio entre o número de nascimentos e o de óbitos. “Seremos o primeiro estado a atingir a marca e, a cada dia, o estado terá oito pessoas a menos”, disse.
As gerações que habitam os 60+, conforme o palestrante, são três. Baby Boomers é formada por pessoas entre 61 e 80 anos e as 27,2 milhões de pessoas desaa faixa etária têm renda de R$ 906 bilhões ao ano. Teen Boomers, ou geração silenciosa, inclui pessoas com 81+ (são 5 milhões ao todo) e renda de R$ 150 bilhões. Já a geração de ferro, ou geração grandiosa, compreende indivíduos com 97+, totalizando 37 mil pessoas no país e renda de R$ 1,2 bilhão ao ano.
Benefícios ao varejo
O crescimento da população 60+ traz consigo boas perspectivas para o varejo físico, como o tíquete médio mais elevado desse público ao comprar. “O tíquete médio do shopper 60+ sobre o tíquete geral chega a ser 66% maior nas compras de Dia dos Namorados, de acordo com pesquisa realizada pela CDL Porto Alegre, que indica um valor médio de R$ 320,00 da compra nesta data”, disse Henkel.
Impactos no marketing
O palestrante, que estuda o segmento 60+ há 12 anos, destacou também que a fisiologia e a biologia no envelhecimento influenciam diretamente o marketing das marcas. As alterações físicas vão da audição à fisiologia e estrutura da pele, o que requer a utilização de cores de maior contraste em anúncios, materiais promocionais e telas. Além disso, devem ser evitados muitos tipos de fontes na mesma peça, pois atrapalham a cadência da leitura.
Por seu elevado potencial de consumo, a atenção dos 60+ é cada vez mais disputada, e as marcas devem adequar sua comunicação para obterem sucesso. Devido à diminuição da sensibilidade aos sons, vozes mais graves devem ser usadas para facilitar a compreensão de áudios, comerciais e ofertas.
Ao contrário do que muitos supõem, os 60+ não sofrem, em regra, de tecnofobia. 78% têm smartphone, o que significa 28 milhões de pessoas no país. No Rio Grande do Sul, o percentual é ainda maior: 82%. E, ainda, o público 60+ tem presença ativa nas redes sociais. O Facebook soma 31,6 milhões de usuários e o Instagram, 7,8 milhões. “Sua marca deve estar onde o consumidor 60+ está e levar em consideração as características de consumo”, sugeriu Henkel.
Pessoas com 60 anos ou + são mais racionais, ou seja, analisam mais antes de comprar, e muitas vezes desistem da compra. “O impulso cede lugar ao controle”, justificou. Martin Henkel disse que os novos avós têm novos hobbies. Os preferidos das mulheres, nesta faixa etária, são atividades físicas e participar de grupos, conversar e sair com amigos. Os homens também preferem atividades físicas, mas valorizam assistir TV e ver filmes. Nos novos tempos, a atenção auditiva está ligada na atenção visual, ou seja, ganha importância a imagem na hora de se informar ou se entreter.
Se a Geração Z (16 a 28 anos) atribui novos significados a expressões do dia a dia, os 60+ mantêm inalterado o sentido de expressões ou ícones que se habitou a empregar na comunicação. Um exemplo da diferença de linguagem entre as gerações é o ícone ‘joinha’, o polegar direito virado para cima muito usado no whatsapp. Para os 60+, significa ok, muito bom, concordo e parabéns. Para a Geração Z, entretanto, significa ‘obrigado por fazer o mínimo’. É um ok bem mais ou menos e uma resposta rude.
Oportunidades da economia prateada
São muitos os serviços beneficiados pelo crescimento dos 60+. De saúde e bem-estar a amor e sexualidade, há inúmeras oportunidades para as empresas com o envelhecimento das pessoas. Muitas já se posicionaram neste mercado, como o Sicredi, que agora tem gerentes de longevidade, e a Unimed Vale do Sinos, que lançou o Senior Living Unicco, um complexo de moradia assistida e alto padrão para o público 60+ em Novo Hamburgo.
Jornada de compra do shopper 60+
A jornada de compra shopper 60+ no varejo físico sofre alterações com o avanço da idade. Conforme Martin Henkel, conhecimento, percepção de marca e localização ganham relevância na pré-compra. Na compra, o layout da loja, a sensação de ser bem-vindo e a facilidade de identificar o ponto de interesse têm mais importância, assim como a satisfação e a resolução de problemas após a compra. “Os 60+ já são responsáveis por 24% do consumo familiar de bens e serviços”, concluiu o palestrante do Prato Principal.
Patrocínio máster: Sicredi Pioneira, Doctor Clin e Grupo Carburgo
Patrocínio: Unimed Vale do Sinos e Exatus Assessoria
Apoio máster: Universidade Feevale
Apoio: Conexo Logistics, Bellenzier Pneus, Geronto Fair e Swan Hotéis
Mídia partners: Revista Expansão, Grupo Sinos, Record Guaíba, União FM e Vale TV