Resultados das eleições já impactam positivamente indicadores econômicos, avalia André Momberger

Por ACI: 08/10/2026

O vice-presidente de Economia da ACI, André Momberger, afirma que os resultados das eleições gerais do último domingo, 04 de outubro, que já têm impacto sobre os principais indicadores econômicos.

Para ele, a vitória da Flávio Bolsonaro já era esperada, porque as últimas pesquisas indicavam uma aproximação em relação a Lula e que a eleição seria bastante disputada, mas surpreendeu pela margem relativamente confortável de votos obtida no primeiro turno.

“Nas eleições majoritárias, foi uma vitória acachapante da direita brasileira, especialmente do PL, partido que ganhou praticamente 40% das cadeiras do Senado e 25% da Câmara dos Deputados. Desde a redemocratização, nenhum partido tinha conquistado tantas cadeiras no Congresso Nacional”, avalia.

Momberger diz que a perspectiva de que a vitória de Flavio Bolsonaro se concretize no segundo turmo pode ter grande impacto na economia futura e, possivelmente, o país esteja diante de um ciclo de mudanças estruturais.

Conforme o vice-presidente da ACI, os principais indicadores já mostram isso. A Bolsa de Valores abriu a segunda-feira, 05, com alta de 10%, e alguns papeis chegaram a subir 30%. O dólar caiu quase 5%, voltando à casa de R$ 5,00. E a taxa de juros futuros – que vem sendo o Calcanhar de Aquiles nessa gestão do Presidente Lula – também reagiu positivamente. No pregão de segunda-feira, o juro futuro estava projetado em 13,65% e indicava uma diminuição, ainda este ano, até a faixa de 13,50%. Mas para saber se efetivamente haverá essa redução é necessário esperar o segundo turno das eleições, em 25 de outubro.

Também na segunda-feira, houve uma 'abertura em GAP' da taxa de juros de 1,2%, que vem se mantendo na faixa de 12,50%. Isso é de grande relevância, porque sinaliza uma mudança grande na mente de quem gerencia o dinheiro, diz Momberger. Outro dado relevante é que, igualmente na segunda-feira, entraram R$ 10 bilhões de capital estrangeiro no mercado brasileiro, uma das maiores altas de entrada de capitais da história da B3.

“Tudo isso é muito positivo e, possivelmente, estejamos diante de uma mudança estrutural, sob o ponto de vista econômico, no Brasil. É algo semelhante ao que ocorreu após o impeachment da Presidente Dilma e a posse do Presidente Temer. Naquela época, um documento indicando o compromisso com a disciplina fiscal e as reformas econômicas estruturais fez as taxas de juros caírem de forma muito rápida, na mesma velocidade com que a Bolsa e o câmbio se recuperaram.

Conforme Momberger, é possível fazer um paralelo com o atual momento brasileiro. O time de economistas que vai acompanhar Adolfo Sachsida (ex-ministro de Minas e Energia) e Daniella Marques (coordenadora econômica e principal articuladora da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro) no Ministério da Economia, se a vitória for confirmada no segundo turno, é um dos melhores do país.

“Quando o mercado olha para as perspectivas de mudança e vê que as pessoas que vão comandar a economia têm uma visão clara de que é preciso reformar a maneira como o Brasil arrecada e gasta (os impostos), começa a acreditar e antecipa investimentos, o que já se reflete no comportamento dos principais indicadores econômicos, que reagem positivamente”, explica.

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